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©2018 by artedecriarsorrisos.
Fotografias: Emmanuel Denaui, Manu Coelho e Acervo Pessoal.

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  • Gustavo Pereira

Vamos juntos?



O que provoca desconforto?

Quando chego em um lugar, procuro o quê? A minha zona de conforto. Olhar para algo diferente me faz sentir desconfortável, mas que tal aceitar o caos, a desordem? Ser menos atento a detalhes que me desconfortam? Quando éramos crianças, não dávamos tanta atenção para pequenas coisas. Você tem saudades do primeiro, segundo ano da escola como eu?


Assim como eu, todo mundo precisa de alguns momentos para se permitir ser criativo, como éramos na infância. Você se considera criativo? Você acha que já foi genial em algum momento da sua vida? 98% das crianças de quatro, cinco anos de idade podem ser consideradas geniais. Ingressamos na escola e ouvimos: fica na fila, senta na cadeira, fica quieto, copia. Até que, por volta dos 31 anos, apenas 2% das pessoas se consideram geniais em alguma situação que vivem.


É possível recuperar essa criatividade?

O lado direito do cérebro, o mais criativo, como o desenvolvo? Jogando, brincando, criado... Aceitando o modelo caórdico, o caos no meio da ordem. Vivemos o modelo de comando-controle. Vai meu convite para trabalhar sete hábitos:


1. Pratique o Sim/E

2. Seja flexível

3. Esteja presente

4. Experimente

5. Siga a intuição

6. Faça o outro se sentir bem

7. Ouse falhar


Para a criatividade não existe o certo e não existe o errado. É um ponto de vista. Tem a ver com o Homo Ludens[1]:


“A brincadeira, o jogo e o riso são vitais para o sentir-se bem, quase um direito para a liberação de endorfina no cérebro humano, além de estabelecerem a percepção de pertencimento e conexão. É antinatural que as pessoas não riam nem brinquem em alguma ocasião todos os dias. De acordo com pesquisas recentes, isso vai contra a bioquímica fundamental e é recomendado que se busque conscientemente oportunidades para se soltar. A natureza poderia igualmente ter oferecido a suas criaturas todas essas úteis funções de descarga de energia excessiva, de distensão após um esforço, de preparação para as exigências da vida, de compensação de desejos insatisfeitos, etc., sob a forma de exercícios e reações puramente mecânicos. Mas não, ela nos deu a tensão, a alegria e divertimento do jogo”.


Quando éramos crianças, dos três anos em diante, raramente gostamos de brincar sozinhos. Mais tarde, o videogame é só meu. A sociedade não está pronta para ser lúdica, onde tudo é bom para todo mundo, dividir o que tenho é mais difícil. Aprendi com Avner, um dos meus mestres da palhaçaria, que hoje tem 72 anos, que a mágica acontece entre o A e o B. Vamos ter vontade de fazer coisas diferentes? Vamos criar juntos? Vamos deixar de julgar, a nós mesmos e aos outros? Vamos sair da caixa? Da zona de conforto? Ampliar a caixa? Pense: eu faço o que eu quero porque a caixa é minha.


Ser criativo é desconstruir continuamente. A criatividade adormece. Jogos de improviso, como entrevista ao contrário e storytelling exercitam o cérebro e dentro de uma hora saímos de um modo de pensar para outro. Quando jogamos Sim/E todos ganhamos. Todos temos a potência. O modelo caórdico remonta à responsabilidade de cada um para manter uma ordem dentro de um certo grau de caos e ao fato de que eu não preciso ter controle extremo, sobre tudo e todos. Pessoas mais criativas são as que deixam a mágica acontecer. Não preciso ser lógico, rápido, o tempo todo. Ambiente de trabalho ruim, com reclamação e rotatividade, somado a como lidar com tanta informação, viver com sobrecarga é um bloqueio à criatividade.


Desconectar, estar presente, me permite criar. Sem agir assim, não crio, pois estou o tempo todo preocupado com alguma coisa. Preciso permitir alguns espaços à mente.

E confiar que as coisas vão dar certo. Uma, duas vezes ao dia, pratique a apreciação de si e do outro. Abra espaço para a sua criança, se permita criar. Pessoas criativas são mais propensas a resolver problemas.


Abraço do Gustavo Pereira.

[1] Homo Ludens.

O jogo como elemento da cultura, Johan Huizinga (1938)

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